De como e quando me acidentei -- em detalhes.

Era 26 de dezembro, logo de manhã. A mulher insistiu em ir para a casa dos pais no natal, e bastante contrariado eu fui.

Não deveria ter ido.

Levei as duas bicicletas de corrida, a minha mais "competitiva" e a Caloi 10 modelo "2008" dela. Aí começamos numa descida de serra. Depois outra descida.

Depois outra descida. E mais uma.

Meu velocímetro é daqueles feitos na China, bem imprecisos. De um tempo para cá, depois de "forte pedalada" ele reseta sozinho. Não sei se é um "mau contato" ou se é porque é chinês. Fico com a última possibilidade. O que ocorre é que depois dessa pedalada estranha vi que estava marcando 38 km/h.

Vi que havia uma faixa de tartarugas (daquelas mínimas) na pista. Inclusive sob o acostamento; faltavam colocar tartarugas no mato também (ultimamente têm posto tartarugas até onde é *impossível* de se andar rápido; algum superfaturamento aí há). Pensei: essas tartarugas são finas, vão dilacerar o pneu fino (e frágil) da bicicleta.

Deveria ter deixado furar, estourar, o que fosse.

Fui freando com o freio de trás, que é mais leve e freia menos (por design e por meu próprio ajuste, pra não fazer "skiding"). Vi que não era suficiente (na real não estava freando quase nada) e resolvi usar o da frente. Em menos de um segundo o braço esquerdo foi para dentro, e a bicicleta estava longe, do outro lado da pista.

Me arrastei para pegar a bicicleta e jogá-la fora da pista, para não piorar o acidente (e também, confesso, para não destruir o eventual resto).

Não consegui respirar. Dores fantásticas nas costelas esquerdas. Consegui levantar no susto (não conseguir respirar é algo que deixa qualquer um em alerta). Comecei a gritar feito um ogro ("A manly scream", como eu me lembraria nessa semana que passou). Mas só conseguia expirar.

Uns trinta segundos depois conseguia inspirar com razoável facilidade. Vi que um casal parou seu FIAT (imagino que era um, talvez fosse um Peugeot, vai saber) e ofereceu ajuda, perguntaram se estava tudo bem. Nisso minha mulher chega, talvez arrependida por termos "subido".

Ao tentar avisar que estava tudo bem percebi um negócio estranho: o braço esquerdo não respondia bem. Só conseguia mexer a mão, e ainda pro lado de dentro. Pensei: ok, quebrei o braço esquerdo, 'no big deal', fico no máximo duas semanas em casa e boas. Nisso chega os paramédicos, chamados sei-lá-por-quem. Vieram em minha direção.

Não deveria ter ido na direção deles.

Nessa hora já estávamos pedindo pro cunhado nos buscar, estávamos montando a bicicleta de novo (ou vendo o que tinha acontecido), mas fui imobilizado do nada, sem ser perguntado sobre o óbvio, e meio que contra a minha vontade. Em vez de ir prum hospital que ficava a seis quilômetros dali, fomos num a trinta e poucos. A 120 km/h. Solto na maca. Com paramédicos que não imaginavam o que era paramedicina (quanto mais medicina).

Gritei (urrei) palavrões em línguas germânicas, para não desconfiarem do meu descontentamento. Sabia que se reclamasse em algum formato latino ou ia ser ignorado -- ou pior -- poderiam imaginar que eu estivesse (como estava) sofrendo dores inéditas, aumentando ainda mais a velocidade. Então a 120 Km/h tava bom.

Cheguei no hospital destruído. Não conseguia levantar a cabeça, mas isso era um alívio. Um dos médicos confessou que era "ciclista regular" mas só andava "pelos lados de Porto Alegre". Respondi que era o melhor que ele fazia. Por mais homicidas que os portoalegrenses sejam na direção, pelo menos tinham noções básicas de paramedicina e estavam acostumados com a noção da bicicleta.

Ouvi falar que a polícia interrogou o meu cunhado, porque segundo o imbecil do vizinho dele (que deve ter chamado os paramédicos), estaria envolvido no acidente. Já que é assim, poderiam ter prendido os paramédicos -- vai que não foram eles que me atropelaram, não é?

Queriam que eu ficasse cinco dias no hospital, à esperar uma cirurgia. Hã? Só tenho um braço quebrado, doutor. Deixa eu ir pra minha cidade que eu cuido lá disso. Ninguém na emergência entendeu nada: afinal de contas não é costume pessoas saírem de "hospitais de primeiro mundo" que ficam em uma cidade "como se fosse do primeiro mundo" (sic) para voltar para suas "favelas" (Esses "sics" não são desse fato, mas creio que ficou subentendido).

Fiz seis chapas, que só poderiam ser retiradas daqui a seis (seis!) dias. Belo primeiro mundo esse. Aqui na favelinha sai na hora a "chapa" e custa menos.

Voltei para casa, fui pra clínica do plano de saúde (que deve ficar assim, na descrição "genérica"). Estava imobilizado naquele esquema "mais ou menos", de "primeiro mundo", saca?

O veredicto foi o mesmo: precisava de uma cirurgia. Em no máximo 15 dias. E como só tinha passado cinco e meio dos seis meses de carência do plano, tinha que desembolsar uns 7k para pagar. Inclusive cada parafuso ia custar algo estilo R$ 50 ou coisa assim. Naquele dia estávamos pensando em vender coisas, etc. para não entrar em dívida.

Deveria ter nascido dois meses antes. Aliás, nem lembro direito se fui prematuro ou não.

Bateu o desespero e fui no SUS. Depois de quase quatro horas fui atendido por um médico que parecia estar me fazendo um favor -- e recebi um xingamento por não ter aberto a porta direito ou coisa assim, o qual respondi rindo sem parar. Ele não ria. Não poder ser demitido torna as pessoas assim, sem humor.

Deveria ter virado deputado, depois senador, depois ditador, e ter privatizado tudo que é público. Mas não, resolvi estudar.

Bati mais duas chapas. Com essa tínhamos mais de dez, num dia só. Até agora não notei câncer nenhum, então raios X não fazem nada, esse negócio de radiação é mito. As chapas saíram tão ruins que até eu sabia que estavam erradas. O veredicto dessa vez foi diferente: eu poderia fazer a cirurgia dentro de vinte dias, sem problema nenhum. E "não ia dar nada", não era "nada sério".

O outro rapaz na fila (pense bem: a fila tinha duas pessoas e demorou quase quatro horas) tinha se acidentado de moto, coisa feia, estava se retorcendo de dor. Também "não era nada". Decidi desconfiar do médico, mas eu tinha que apelar pro serviço público (aquele que pago desde os 14 anos e só precisaria agora).

Depois de ir para três salas diferentes pedindo informações me disseram para voltar dois dias depois na fila do SUS. Foi o que fiz. Em meio a tantos evangélicos, pensei que um culto ia iniciar ali mesmo, na fila. Tinha até um candidato a pastor. Por sorte minha, as portas abriram.

Pelo menos o médico que atendeu (ignoremos a espera nesse momento) era o mesmo do plano de saúde. Já fiquei mais tranqüilo. Foi a consulta mais rápida do SUS, eu garanto. Afinal de contas, não quero incomodar.

Deveria ter incomodado.

Minha mulher entrou em desespero (não que não estivéssemos, mas ficou evidente), e "foi atrás". Conseguiu dobrar o coração do pessoal do plano e autorizaram a cirurgia, com base em mais um laudo que dizia que era "de urgência". A dor que eu sentia que o dissesse -- a pior coisa é incomodar os outros com sua dor ou seus problemas, porque mais cedo ou mais tarde todo mundo vai ter algum problema, e o seu não é o único, nem o mais especial. Se bem que nessa hora era único, especial e relativamente urgente.

Tinha quebrado o úmero proximal ("o braço de cima", na altura do ombro) em três partes (como se ele tivesse "perdido a cabeça" do osso, ou "destampado", na visão imaginativa do médico); duas davam para recuperar, uma não (e não faria falta). Estiramentos, atrofias, traumas, essas coisas se sucederam também.

Fiz a cirurgia uma semana depois. Segundos antes tomei aquele mata-leão que é a anestesia geral. "Olá, meu nome é doutora fulana-de-tal, anestesista, etc." -- eu sorri porque sabia que ia esquecer tudo. Quando fui dar um palpite sobre o filme que tinha passado ontem (a equipe cirúrgica tinha visto o Código da Vinci um dia antes) eu acordei todo amarrado. Me proibiram de levantar a cabeça, mas era pro meu próprio bem.

Agora tenho um parafuso cirúrgico que vai diagonalmente de um lado até outro da cabeça do osso. Uns sete centímetros, se eu olhei certo. Consigo entrar em bancos normalmente, mas não conseguiria fazer um episódio de House M.D..

A autorização do SUS para *marcar* um dia para fazer a cirurgia veio três dias depois que eu fiz a cirurgia... desnecessário dizer que iria ser bem tarde; alguma seqüela ia ficar.

Errei, pensei que ia me recuperar em 15 dias: não aconteceu, e tive que ir no INSS (outra faceta bisonha do governo). Mas fui numa agência pequena, na cidade onde trabalho, e só gastei um turno inteiro para fazer a perícia. Eu relutei, disse que não precisava, que não queria, mas a regra é essa. Ou faz ou não recebe.

O benefício era para ser até o dia 26 vindouro. Voltei a trabalhar ontem. De que jeito? Passei três dias (quase inteiros) indo e voltando na clínica, no INSS (no qual gastei dois turnos inteiros) onde finalmente deixaram eu trabalhar de volta.

Durante esses últimos três meses, tentei fazer de tudo para passar o tempo: mudei os móveis da sala, comprei hardwares antigos, instalei sistemas exóticos, refiz a rede, refiz o cabeamento, refiz o cabeamento da rede, li livros que estavam nas últimas páginas, iniciei a leitura de outros, vi filmes que queria ter visto, etc. -- mas essas são outras historinhas, em que acabei aprendendo uma cacetada de coisas sem querer. Foram as férias que eu queria, do jeito que não queria, fazendo coisas que eu faço sempre.

O braço responde bem, faz esforço quase normalmente. Esse quase é sempre um problema, certo? E é. Agora na fisioterapia (ou fisiotortura) tenho experimentado dores inacreditáveis, espetaculares, burlescas. Canto músicas ao contrário. Vejo estrelas sem precisar do Stellarium. LSD perde diante de tanta dor. Só não dou uma voadeira na fisioterapeuta porque eu posso estar virando masoquista, então isso poderia prejudicar essa faceta que eu não conhecia; melhor deixar quieto.

Há um mês eu estava no time do McCain e do Jô Soares: levantava o braço até o horizonte, e só. Hoje já consigo fazer 80 graus sem nenhum esforço. E sim, estou andando horrores com a bicicleta "de reserva", e já já vou consertar a "competitiva". Não tenho mais medo, mas isso é porque não tenho mais juízo também.

Deveria ter?

Minha mania com as duas rodas.

Senta que vem história.

Geralmente toda coisa em que se desenvolve uma obsessão não é saudável. Aliás, prefiro dizer que não é, mesmo que seja. Sendo assim, estou sofrendo de uma compulsão nada saudável sobre bicicletas.

Até agora tem sido saudável: não sinto aquela dor pós-exercício que dura alguns dias; não tenho mais hematomas em diversas partes do corpo; não há tanto suor nem desconforto em subidas; principalmente, consigo realizar subidas que não conseguia fazer de jeito nenhum.

O ruim é que eu não consigo manter só um "equipamento" para realizar as "corridas". Comprei uma bicicleta, depois outra, depois outra. Troquei peças. Torrei um dinheiro bonito (ainda que pouco perto dum modelo qualquer dito profissional) trocando peças e consertando pneus, aros, câmbios. Mas é uma coisa que dá um prazer inigualável (dentro do que se refere a esporte individual, que fique bem claro).

A obsessão toda começou uns dois anos atrás. Tinha uma bicicleta daquelas que se compra em mercado hoje em dia por menos de R$ 200 (mas que na época, 1996, custou bem mais; uns R$ 450, quando R$ 450 valia dinheiro. Não é que o dinheiro agora compra mais coisas: é que os materiais ficaram tão baratos que míseros R$ 200 (que não valem nada) conseguem comprar uma bicicleta). Era uma mountain bike. Usei ela extensivamente de 1996 a 2000.

Em 1999/2000 eu usava para a comuta trabalho <-> casa. Era chato, caro, demorado, desconfortável demais pegar ônibus. A distância de casa até o trabalho era 3 km, sendo que no meio havia um morro de inclinação considerável (o "pesadelo da volta"). Mesmo sendo mountain bike eu não conseguia subir o tal morro. Em 1996 eu pesava 67 kg; em 1998 já pesava 75; depois duma breve incursão em um hospital pulei para 85; e, quanto mais o peso aumentava, pior ficava para subir o tal morro.

Mas o fôlego (para o resto) eu mantive. Até 2000. Aí eu já estava na universidade, e vida de universitário não é saudável. Não pode ser saudável, senão não tem graça.

Corta para 2007, e me vejo me mudando para uma cidade onde todo mundo tinha pelo menos uma bicicleta (mais de uma bicicleta per capita). Então eu ressuscitei a maldita mountain bike genérica e, bem de vez em quando, saía com ela nos fins-de-semana. Nada sério.

Explico o "maldita". Nos anos 90 (final dos 80, na verdade), o Brasil sofreu a invasão das "mountain bikes": bicicletas pesadas, que supostamente serviriam para andar nas montanhas, em terrenos inóspitos, etc.; ocorre que a tropicalização da bicicleta não deu muito certo para a manutenção do conceito "montanha": as bicicletas eram toscas, quebravam só de deixar sob o sol, e se você se arriscasse nas montanhas, era acidente certo.

Em suma, eram boas para trafegar nas cidades sem nenhum planejamento que o Brasil tem. E eram baratas o suficiente para que (quase) todo mundo pudesse comprar. Então se convencionou assim: jovens usam as MTBs, pessoal mais velho e "operário" usava variantes de Barra Forte (aquela bicicleta desconfortável e insegura, mas que dura bastante e não deve custar mais de R$ 40 para fabricar).

Houve mini-tendências ao longo dos anos 90 em termos de acessórios; todas as tendências passaram. Hoje essas MTB têm cara de Transformers (o filme novo), e um quê de cultura emo. Pode notar.

Nada disso impediu que as MTBs se popularizassem. Nem a destruição do conceito de bicicleta de montanha e a necessidade de ter um modelo mais adequado às cidades (que acabou acontecendo, mas são caras que só vendo). E agora começam a pipocar variações "chopper" baseadas em MTBs. Terrível; é um negócio que já nasce com data para terminar (assim espero).

Mesmo sendo (aparentemente) mais confortáveis que outros modelos, acessíveis e ganhando todas as inovações do ramo (freios a disco, suspensão, câmbios práticos, etc.) eu não conseguia me sentir confortável pedalando com elas. No início eu pensei que era a altura do selim ou coisa assim. Não era. Eu é que era incompatível com as bicicletas.

Me lembro de ter, de empréstimo, uma Caloi 10 dos anos 70 por alguns minutos; isso no meio dos anos 90. Eu quase tinha minha altura atual, mas mesmo assim era difícil de manobrá-la, era rígida, precisa; muita curvatura e eu quase caía; não dava para andar devagar; a correia caía fora se eu ousava muito na troca de marchas. O que me fascinava era o guidão "multiuso" (umas quatro posições diferentes podiam ser usadas ali) e as dimensões magricelas do quadro e pneus.

Essa fascinação ia me "procurar" depois.

Em 2008 eu decidi viajar para um lugar onde se poderia pedalar com o auxílio da lei (porque o trânsito daqui é assassino com a complacência da lei; o efeito oposto). Então fui lá e comprei uma bicicleta que até hoje não sei a marca nem o modelo, mas era uma "speed" adaptada. Foi amor à primeira curva (pra não dizer "vista"). Rodava tão confortavelmente quanto as "omafietsen", com a diferença de ser rápida a ponto de alcançar os trams.

Praticamente destruí a bicicleta de tanto andar. Tive que deixar lá; imaginei que, ao chegar por aqui, a Gol ia querer me cobrar praticamente o valor da bicicleta para transportá-la (eu não estava muito fora da expectativa não; parece que custa uns R$ 200).

Poucas semanas depois vi uma Caloi 10, novo modelo, numa loja de bicicletas. Na real estava interessado naquelas scooters elétricas, mas a visão da bicicleta ocupando toda a vitrine -- montada, pronta para usar -- fez eu desistir da scooter na hora. Perguntei quanto era e nem pensei: fui no banco, quebrei o porquinho, comprei à vista. Acabou não sendo a da vitrine; foram duas horas longuíssimas até que outra, direto da caixa, estivesse pronta. Ao chegar em casa começou a chover; mas no outro dia eu tirei a desforra.

Uma das melhores compras que eu já fiz. Pelo benefício, não necessariamente pelo produto. E como a desgraçada anda. Noto que os motoristas não gostam nem um pouco da competição.

Depois de alguns meses de uso diário, o desgaste foi inevitável. A ponto de trocar o cubo traseiro, várias câmaras, e pelo menos uma roda.

Eis que um amigo (Ari Jr., que agora deve estar em Portugal) revelou que tinha, paradinha, uma Caloi 10. Fui ver, e era o modelo antigo. Dei um jeito de levá-la alguns dias depois, e, ao voltar de noite de Gramado, fui pedalar madrugada adentro. Minha surpresa: o modelo antigo era realmente muito melhor que o novo. Parecia que tinham adivinhado o tamanho exato do quadro.

Um ano passa, e eu deixo de andar diariamente, para apenas andar nos fins-de-semana (corrija-se: praticamente todo fim-de-semana, quase que religiosamente). Para compensar os 14 km diários, a cada fim-de-semana faz-se uma corrida maior (geralmente cruzando cidades, ou as rodeando). As chuvas aparecem junto com o inverno, e há vezes em que eu vou andar mesmo chovendo.

Poucos meses depois, me vejo andando por São Paulo, e na rua da FNAC Pinheiros vi uma Caloi 10 (1984, com adesivos Mondrianescos) por apenas R$ 300. "Pechincha", pensei. Era. Desbravei horrores no trânsito horroroso de São Paulo por alguns dias. Era a liberação do táxi, do ônibus e do metrô. E nem achei os motoristas tão agressivos como dizem (talvez estejam se acostumando com as 300 mil bicicletas em circulação na capital de facto do Brasil).

Consegui trazê-la para casa, depois de manobra logística de certa complexidade. É o novo cavalo-de-batalha: já quebrei o câmbio original (em "lance de bola parada"), modernizei os aros e rodas, entre outros reparos menores. E neste fim-de-semana foram dezenas de km com ela.

Abaixo (se o Posterous colaborar) o modelo antigo e o novo. Não necessariamente na mesma ordem.

(download)

Não sei se eu as trocaria por modelos speed mais novos (e mais caros). Acho que não. Por alguma estranha razão, a sensação de liberdade que essas "magrelas" rígidas e aparentemente burocráticas dos anos 70 trazem não se igualam nos modelos de hoje; pelo menos não nos nacionais. Talvez haja uma marca estrangeira que me agrade, mas não estou disposto a pagar para ver.

Percebi de uns tempos pra cá que esse amontoado de ferro e alumínio (com pequenas porções de inox) é o que está me mantendo vivo; dando motivos para eu continuar seguindo os próximos objetivos, sejam quais forem. Pensei que era o contrário: que eu estava sustentando o "vício" das horas vagas, mas não, é a obsessão que tomou conta. E me sinto o próprio Robert Pirsig quando saio por aí meditando em duas rodas.